Município de São Paulo, Presidente, 1º turno. Validação em 2022; aplicação na noite de 4 de outubro.
O menor resultado que existe é a seção eleitoral. Toda quebra por idade, escolaridade, renda, cor ou religião que aparecer aqui é estimativa por inferência ecológica — cruzando o resultado de cada urna com o perfil de quem está inscrito nela (TSE) e de quem mora em volta (Censo 2022) — e vem com intervalo de incerteza. O que é dado e não estimativa, como o comparecimento por perfil publicado pelo TSE, aparece separado e marcado.
A contagem soma as urnas que já chegaram. A projeção soma essas mesmas urnas com a previsão das que faltam: cada urna ainda não apurada parte do resultado do seu local de votação em 2022 e recebe o deslocamento medido nas urnas já apuradas, ajustado pelo perfil de quem está inscrito nela e pela sua zona. O intervalo é de 90%, calibrado no ensaio de 2022 abaixo. As urnas não chegam em ordem aleatória, e é por isso que as duas colunas discordam no começo da noite.
A mesma projeção, do município de São Paulo ao país, ensaiada na noite de 2022 com 2018 como eleição anterior e as urnas entrando na ordem real em que chegaram ao TSE (a hora de cada uma está no detalhe da votação por seção do Portal de Dados Abertos).
Baixar uma urna exige dois arquivos (o índice da seção e o boletim). Simulado contra a chegada real das 472.075 urnas de 2022:
O TSE bloqueia acima de 100 requisições por segundo, e um bloqueio de 10 minutos no pico custa mais que o ritmo ganho. Por isso a noite tem duas camadas: o estado de SP urna a urna (50 req/s), e o resto do Brasil pelos totais parciais de cada município (~5.700 arquivos, varridos em ~6 minutos a 15 req/s). A camada municipal projeta o país com as mesmas ideias — o parcial de cada município contra a eleição anterior dele, com efeito de UF — e a incerteza vem de reamostrar UFs inteiras: reamostrando municípios dentro da UF, o intervalo de 90% cobria o real em 23% das vezes; reamostrando UFs, em 71%, e com o fator 1,5, em 89%.
Capital, Presidente. As urnas de 2022 entram na ordem real em que chegaram ao TSE; cada uma é comparada com o local de votação de 2018 mais próximo. Candidatos diferentes, locais remexidos — o mais parecido com domingo que dá para fazer antes de domingo.
Capital, Presidente, % dos votos válidos entre quem votou em cada grupo. Inferência ecológica a partir das 26.288 urnas, com o comparecimento real por perfil do TSE no lugar do estimado.
O intervalo é o da reamostragem por zona somado ao erro máximo que o método cometeu na régua do comparecimento (±4,4 pontos na idade, ±1,2 no sexo). Sexo quase não varia entre urnas: a estimativa tem pouca informação para trabalhar, e as pesquisas são referência melhor para ela.
O TSE publica quem compareceu por idade e escolaridade. Antes de estimar o voto de um grupo, o método tem que acertar o comparecimento dele, onde existe gabarito.
Por que não há "voto por escolaridade" nesta página. Em todas as variantes testadas o método estimou o comparecimento de quem tem superior completo 10 a 19 pontos abaixo do real, e abaixo de quem tem ensino médio: a ordem invertida. A leitura provável: nas urnas de bairros de alta escolaridade há muito eleitor inscrito que já não mora ali, e essa abstenção é do lugar, não do grupo; o modelo não tem como separar as duas coisas. Um método que erra assim onde há gabarito não vai para onde não há. A escolaridade aparece abaixo como perfil da urna, não como grupo.
Cada urna da capital cai num quintil (cinco grupos com o mesmo número de votantes) segundo o perfil do seu eleitorado (TSE) ou do entorno do seu local de votação (Censo 2022, raio de 1,5 km). O voto é a soma real das urnas.
Isto não é "como votou cada grupo". É como votaram as urnas dos lugares com mais daquele grupo, e as duas coisas podem apontar para lados opostos. O exemplo abaixo mostra isso acontecendo.
Em cada faixa de renda do entorno, o terço de urnas com mais fiéis contra o terço com menos.
Presidente, capital, % dos votos válidos somando as seções na hora real em que cada uma chegou ao TSE.
As urnas não chegam em ordem aleatória. Com um quarto das seções apuradas, a soma simples errava a distância entre os dois em três pontos, sempre para o mesmo lado. É esse erro que a projeção de domingo existe para corrigir: cada urna de 2026 é comparada com o local de votação de 2022 mais próximo, e as que faltam herdam o deslocamento medido nas que já chegaram — cada uma sobre a sua própria base.
Duas formas de casar cada local de votação com os setores censitários do entorno, julgadas pelo que o TSE e o Censo têm em comum: a idade e o sexo.
A régua é a correlação, entre os ~2.000 locais da capital, da parcela de eleitores com 60 anos ou mais (TSE) contra a de moradores com 60 ou mais no entorno (Censo). O vencedor casa razoavelmente, não bem — o eleitor não vota necessariamente onde mora —, e isso vale para toda variável que só o Censo tem: cor, renda, alfabetização e religião. O sexo quase não casa porque quase não varia entre locais.
No 2º turno a melhor base para uma urna não é a eleição de quatro anos antes: é ela mesma, três semanas antes. As seções e os eleitores são os mesmos nos dois turnos (em 2022, 472 mil seções e 156,5 milhões de aptos, iguais). O que o 1º turno não diz é para onde vai cada eleitor — de Tebet, de Ciro, de quem anulou, de quem não foi votar. A projeção aprende isso na própria noite: a matriz de transição do 1º para o 2º turno, estimada nas urnas que já chegaram, aplicada às que faltam.
O arquivo por município do TSE dá a soma das seções já apuradas, não quais são. O índice de seções de cada UF diz quais chegaram e quando — e as primeiras do índice são as que estão na soma (conferido voto a voto nos boletins de SP do 1º turno de 2026: 83–90% dos municípios exatos; o resto são seções sem boletim publicado). Ensaio na noite do 2º turno de 2022, na ordem real de chegada, erro médio da parte de Lula nos válidos:
| variante | erro médio |
|---|---|
| contagem | 2,71 |
| modelo do 1º turno, com 2018 como base | 0,69 |
| o mesmo modelo, com o 1º turno de 2022 como base | 0,51 |
| matriz de transição entre municípios | 0,27 |
| matriz de transição sabendo quais seções chegaram | 0,04–0,07 |
As três primeiras tinham o mesmo viés de ~0,5 ponto contra Lula no meio da noite — o mesmo que apareceu ao vivo no 1º turno de 2026, e no ensaio do 1º turno de 2022. Ele não vinha da base: vinha de as primeiras urnas de cada município não se parecerem com as últimas. Comparando cada urna com ela mesma, some. O intervalo de 90% (reamostragem de UFs inteiras × 1,5) cobriu o resultado nos 7 momentos testados, de 1% a 90% das seções; como chega a ±0,05 ponto no meio da noite, tem piso de ±0,2. É uma eleição só: se as migrações de 2026 forem menos homogêneas que as de 2022, o intervalo fica curto.
SP por local de votação, boletim a boletim (aí se sabe exatamente quais seções chegaram): matriz do estado e uma por zona, mais o desvio do próprio local. Ensaio com o 2º turno de 2022 em SP: erro médio de 0,03 ponto — Lula 44,77% com 1% das seções, para um real de 44,76%.
Ensaio de ponta a ponta (06/10/2026): um servidor nesta máquina serviu a noite do 2º turno de 2022 nos endereços do 2º turno de 2026, e os coletores e o publicador rodaram contra ele: com 9% das seções, Lula entre 50,65 e 51,20; com 95%, projeção central de 50,898 — real, 50,90. As migrações de 2022, estimadas seção a seção, também são o ponto de partida do simulador.